quinta-feira, 18 de março de 2010
quinta-feira, 11 de março de 2010
AGENDA 2010
2010 INICIAMOS GRUPO DE ESTUDO DA OBRA DE JOÃO GUIMARÃES ROSA - DANDO CONTINUIDADE A PESQUISA QUE REALIZAMOS COM "QUERÊNCIA" E A ENTRADA DE NOVOS INTERPRETES NO GRUPO -
AGENDA DE 2010:
SESC POMPÉIA -SP - O ALIENISTA NA RUA - 09 DE JAN
SESC POMPÉIA - SP - ANJO TORTO O SOLO - 16 DE JAN
SISTEMA MAX DE ENSINO -LDA/PR - CARTAS AO PROF. - 22 DE JAN
COL. SAGRADO CORAÇÃO - CTBA/PR - CARTAS AO PROF.- 05 JAN
SEC.ED. DE BIRIGUI - SP - CARTAS AO PROF. - 09 DE FEV
SEC. ED. DE PEDERNEIRAS - SP - CARTAS AO PROF. - 18 DE FEV
SESC POMPÉIA - ADONIRANDO - 07 E 21 DE FEV
SESC ITAQUERA - DIÁLOGO DA CIDADANIA - 19 DE MAR
SEC. ED. CABREUVA - SP - CARTAS AO PROF. - 25 DE MAR
SESC CARMO - PROSA POESIA E MUSICAS - 27 DE ABR
SEC. CULTURA DE CAMPOS DE JORDÃO - CARTAS AO PROF. 21 DE MAIO
SEC. CULTURA DE ARARAS - ALIENISTA - MAIO
SESC SANTANA - LETRA E MÚSICA - 22 DE MAIO
APRES. CARTAS AO PROF. NO ABC PELA FTD - 29 DE MAIO
SEC. CULTURA DE ILHÉUS - CARTA AO PROF. DIA 10 DE JULHO
CEU SAPOPEMBA - LETRA E MUSICAS - EM SET
SESC SANTOS - A TERCEIRA MARGEM DO RIO - 17 DE JUNHO
SESC POMPÉIA - BICICLETA PRA VOAR - 17 E 18 DE JULHO
SESC CARMO - ADONIRANDO PELAS RUAS DO BEXIGA - 12 DE SET
SEC. CULTURA DE ARARAS - ALIENISTA - MAIO
SESC SANTANA - LETRA E MÚSICA - 22 DE MAIO
APRES. CARTAS AO PROF. NO ABC PELA FTD - 29 DE MAIO
SEC. CULTURA DE ILHÉUS - CARTA AO PROF. DIA 10 DE JULHO
CEU SAPOPEMBA - LETRA E MUSICAS - EM SET
SESC SANTOS - A TERCEIRA MARGEM DO RIO - 17 DE JUNHO
SESC POMPÉIA - BICICLETA PRA VOAR - 17 E 18 DE JULHO
SESC CARMO - ADONIRANDO PELAS RUAS DO BEXIGA - 12 DE SET
BREVE HISTÓRICO DO GRUPO:
O RASCUNHO DE UM RIO - 2010
ANJO des-CONSTRUÍDO - 2010
QUERÊNCIA (2008/09)
BICILCETA PRA VOAR (2009)
O ALIENISTA - (2008)
NA CADEIRA COM OS PÉS NA VARANDA (2007)
MADAME BOVARY (2007)
MUNDO CÃO (2007)
LETRA E MÚSICA (2006)
VINICIUS (2005)
FALA COMIGO (2004)
ANJO TORTO (2000)
GRUPO DA COOPERATIVA PAULISTA DE TEATRO
GRUPO DA COOPERATIVA PAULISTA DE TEATRO
sexta-feira, 5 de março de 2010
TEXTO RUBENS CORRÊA
Recado aos jovens da CAL
Rubens Corrêa
Fui convidado para conversar com vocês sobre o ator; sei que muitos aqui jamais representaram, e outros deram apenas os primeiros passos neste caminho labiríntico que é o mundo da interpretação. É uma tarefa que exige de mim sensibilidade e coragem; acho uma grande responsabilidade falar aos jovens, e é com muita emoção e prazer que passo adiante as humildes sementes do meu trabalho artístico, com a esperança de que alguma utilidade possa ser encontrada nelas e que de alguma maneira elas possam lhes tornar a caminhada menos solitária e mais solidária, na medida em que esta receita muito pessoal provoque dúvidas e reconsiderações, ou toque o sagrado dentro de cada um de vocês, ou reacenda aquela esperança cega que Prometeu garantiu ser a conquista mais urgente para a sobrevivência do homem neste planeta.
O grande poeta e dramaturgo alemão Büchner escreveu numa cena de sua peça "Woyseck": "Cada ser humano é um abismo e a gente tem vertigens quando se debruça sobre um deles."
Acho que nós atores somos duplamente esse abismo-espelho: como seres humanos e como artistas. Nossa missão é provocar vertigem e o revisionamento do abismo dentro de cada espectador, para que depois de cada mergulho em nossos personagens-propostas essas pessoas pensem, se emocionem, compreendam e amem com nova e maior intensidade.
Eu, Rubens Corrêa, ator e artista de teatro, vinte e oito anos de profissão, e séculos e mais séculos de um longo período não sei onde, ofereço a vocês com apaixonada humildade o meu aprendizado nesta caminhada em cima das brasas sem se queimar que é a condição necessária para poder representar e viver com algum significado neste nosso bizarro país sul-americano.
(...)
(...)
O CÁLICE
Representar para mim é a possibilidade que me foi dada de me comunicar com o meu semelhante através de uma troca de idéias, imagens, palavras, gestos e emoções. Um divertido, fascinante, e muitas vezes cruel jogo que mistura ficção e realidade, consciente e inconsciente, sagrado e profano, amor e ódio, vida e morte. Uma Paixão.
Através dos anos venho elaborando em cima das tábuas o meu trabalho, tentando sempre o difícil equilíbrio entre as conquistas técnicas e a simplicidade da execução. Aqueles instantes, todas as noites, em que represento um papel, são sempre os melhores momentos do meu dia. Isso quer dizer que levo para o palco meus sentimentos, minha idéia, minhas alegrias, meus abismos, meu horror e minha luz. Diariamente filtro essas emoções através das necessidades de cada personagem, e recebo de volta para mim mesmo uma nova compreensão de meus problemas - e acrescento ao personagem um novo enriquecimento conseguido "à quente", quer dizer, arrancado de dentro de mim mesmo.
Com o correr dos anos fui aprendendo a me observar como artista e ser humano, e fui tentando aproveitar em meus desenhos interpretativos a linguagem interior de minha vivência pessoal, para conseguir assim essa difícil união entre arte e vida, que foi sempre a minha grande aspiração.
Sempre acreditei que cada ator traz consigo um material fantástico, inimitável e único, muito difícil de ser conservado e desenvolvido nesta nossa era brutalizada e massificada.
É um cálice de cristal interior, que deve ser preservado e defendido através de muitos terremotos, muita contrariedade, muita decepção e sensação de abandono, mas com momentos também de enorme luminosidade que quando acontecem recompensam o artista e engrandecem o ser humano.
Cada ator é único e inimitável se ele mergulha com honestidade em si mesmo, e retrata o seu semelhante com generosidade, verdade e paixão. "Somos feitos da essência com que os sonhos são feitos" escreveu Shakespeare, e essa é a melhor definição que conheço sobre o mistério da representação.
O CAVALO
Cada ator tem obrigação de zelar e desenvolver o seu instrumental – sua voz, seu corpo: seu cavalo. Devemos transformar nosso corpo num grande arquivo de imagens com possibilidades de serem utilizadas em nossos futuros personagens; nossa voz deve poder miar, rugir, gemer, uivar – nossas mãos podem ser galhos de árvores, garras de feras, folhas secas ao vento – nossos pés, colunas de um templo, patas de animais. Nossos olhos devem poder reproduzir o enigma do olhar da esfinge, e a clareza cristalina de um poema de Brecht.
E mais, devemos nos preparar para poder receber com artística mediunidade a alma do mundo, as grandes interrogações do nosso tempo, a voracidade deste universo em constante transformação.
Devemos ser suficientemente fortes para poder reproduzir simultaneamente a maravilha e o horror do ser humano, a criatividade e a autodestrutividade de nós todos, homens, através desta difícil caminhada da vida.
O nosso cavalo deve então se preparar para poder assumir todas estas formas, e por isso ele tem de ser constantemente reabastecido e renovado.
O cavalo é também o estimulador de nossa energia, o conservador de nosso entusiasmo e de nossa fé; quando as crises vierem (e não tenham dúvida de que elas virão), nada melhor do que trabalhar na fortificação do cavalo, porque no mínimo estaremos crescendo durante a crise, estaremos trabalhando e temperando novas energias, adquirindo novas técnicas, novos conhecimentos. Podem ter certeza de que um bom cavalo torna o ator indestrutível.
O FOGO
O fogo através do tempo sempre foi o símbolo vivo da fé, do entusiasmo e da rebeldia; mantê-lo aceso dentro de nós é também um trabalho para a vida inteira. O fogo nasce de um estado de curiosidade natural e instintivo e pode ser desenvolvido através da conquista progressiva de uma cultura geral, de uma observação apaixonada da história do homem, da história de todas as artes, da emocionante história do teatro – e um profundo sentimento de observação do ser humano – aqueles para quem realizaremos nossas mágicas, o nosso público. Esse fogo interno, uma espécie de grande rol central de energia e fé, é uma grande defesa contra a acomodação, e me parece ser a grande mola propulsora da criatividade; devemos estar sempre atentos aos seus chamados, e é preciso não deixar nunca, custe o que custar, esse fogo esmorecer, porque, caso isso aconteça, seremos os artífices de uma arte morta, sonâmbula, inútil, feia e resignada.
O MENINO
A recuperação da liberdade da infância através da vida adulta foi sempre uma das minhas metas; a criança é uma fonte incrível de informação artística - e a criança que nós fomos recuperada através do nosso lado lúdico tão atrofiado pelo correr dos anos – pode nos servir de guia, mas um guia muito especial, que caminha alegre e despreocupado, que sabe descobrir o mágico dentro do cotidiano, intuitivamente
Um grande exemplo da presença do menino dentro de um artista está na figura e na obra do pintor Pablo Picasso. "Eu não procuro, eu acho" afirmava o grande pintor. E essa fala denuncia o menino que Picasso levava dentro de si, que pintava cerâmica usando como base para o desenho a espinha do peixe que tinha comido no almoço, ou fazia fantástica escultura aproveitando uma roda velha e quebrada de uma bicicleta encontrada na estrada durante seu passeio matinal. O menino traz alegria e descompromisso racional para o trabalho artístico. No Passeio Público do Rio de Janeiro tem um menino-anjo esculpido num bebedouro (se não me engano de Mestre Valentim) com a seguinte legenda: "Sou útil, inda brincando". Essa é a lei e a sabedoria dos meninos.
Acho que preservando o cálice, domando o cavalo, estimulando o fogo e soltando o menino, o artista está preparado para viver e criar uma vida bela e uma obra útil para a coletividade.
* Aula inaugural da Cal (Casa das Artes de Laranjeiras) – Rio de Janeiro (RJ), em 12 de março de 1984. Reproduzida de uma apostila do autor.
sábado, 27 de fevereiro de 2010
APRESENTAÇÃO DO SESC POMPÉIA - ADONIRANDO - canções e causos de Adoniran Barbosa
camarim do sesc - pompéia
(2010)

Catraca Livre apresenta sugestões para este domingo
da Folha Online
O músico Leoni faz se apresenta hoje na praça de eventos do Shopping Praça da Moça, em Diadema (ABC). O artista relembra músicas da época em que integrava as bandas Kid Abelha e Heróis da Resistência. No Sesc Pompeia, Willian Vasconcelos e Marco Antonio Garbellini cantam e contam causos de Adoniran Barbosa. A apresentação faz parte programação "Rua da Surpresa: Morre o Homem, Fica a Fama".
Ambas as programações estão entre os destaques da agenda cultural do site
Catraca Livre.
na rua da surpresa dentro do sesc - pompéia
sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010
videos
O ALIENISTA (DRAMATURGIA: HERCULES MAIA KOTSIFAS)
QUERÊNCIA (DRAMATURGIA: MARCO ANTONIO GARBELLINI)
VINICIUS NA VIRADA CULTURAL - PÇA DA REPÚBLICA
QUERÊNCIA (DRAMATURGIA: MARCO ANTONIO GARBELLINI)
VINICIUS NA VIRADA CULTURAL - PÇA DA REPÚBLICA
sexta-feira, 15 de janeiro de 2010
ANJO 2010
ANJO TORTO 2010 - solo poético da obra de Carlos Drummond de Andrade -
criação e execução: Marco Antonio Garbellini
(SESC-POMPÉIA-janeiro-2010)
Quando nasci, um anjo torto
desses que vivem na sombra
disse: Vai, Carlos! Ser gauche na vida...
Meu pai montava a cavalo, ia para o campo.
Minha mãe ficava sentada cosendo.
Meu irmão pequeno dormia.
Eu sozinho menino entre mangueiras
lia a história de Robinson Crusoé,
comprida história que não acaba mais.
Minha mãe ficava sentada cosendo.
Meu irmão pequeno dormia.
Eu sozinho menino entre mangueiras
lia a história de Robinson Crusoé,
comprida história que não acaba mais.
No meio do caminho tinha uma pedra
tinha uma pedra no meio do caminho
tinha uma pedra
no meio do caminho tinha uma pedra.
tinha uma pedra no meio do caminho
tinha uma pedra
no meio do caminho tinha uma pedra.
Nunca me esquecerei desse acontecimento
na vida de minhas retinas tão fatigadas.
Nunca me esquecerei que no meio do caminho
tinha uma pedra
tinha uma pedra no meio do caminho
no meio do caminho tinha uma pedra
na vida de minhas retinas tão fatigadas.
Nunca me esquecerei que no meio do caminho
tinha uma pedra
tinha uma pedra no meio do caminho
no meio do caminho tinha uma pedra
Não serei o poeta de um mundo caduco.
Também não cantarei o mundo futuro.
Estou preso à vida e olho meus companheiros.
Estão taciturnos mas nutrem grandes esperanças.
Entre eles, considero a enorme realidade.
O presente é tão grande, não nos afastemos.
Também não cantarei o mundo futuro.
Estou preso à vida e olho meus companheiros.
Estão taciturnos mas nutrem grandes esperanças.
Entre eles, considero a enorme realidade.
O presente é tão grande, não nos afastemos.
A festa acabou,
a luz apagou,
o povo sumiu,
a noite esfriou,
e agora, José?
e agora, você?
você que é sem nome,
que zomba dos outros,
você que faz versos,
que ama, protesta?
e agora, José?
Está sem mulher,
está sem discurso,
está sem carinho,
já não pode beber,
já não pode fumar,
cuspir já não pode,
a noite esfriou,
o dia não veio,
o bonde não veio,
o riso não veio,
não veio a utopia
e tudo acabou
e tudo fugiu
e tudo mofou,
e agora, José?
está sem discurso,
está sem carinho,
já não pode beber,
já não pode fumar,
cuspir já não pode,
a noite esfriou,
o dia não veio,
o bonde não veio,
o riso não veio,
não veio a utopia
e tudo acabou
e tudo fugiu
e tudo mofou,
e agora, José?
Sua doce palavra,
seu instante de febre,
sua gula e jejum,
sua biblioteca,
sua lavra de ouro,
seu terno de vidro,
sua incoerência,
seu ódio – e agora?
Com a chave na mão
quer abrir a porta,
não existe porta;
quer morrer no mar,
mas o mar secou;
quer ir para Minas,
Minas não há mais.
José, e agora?
quer abrir a porta,
não existe porta;
quer morrer no mar,
mas o mar secou;
quer ir para Minas,
Minas não há mais.
José, e agora?
se você gemesse,
se você tocasse
a valsa vienense,
se você dormisse,
se você cansasse,
se você morresse...
Mas você não morre,
você é duro, José!
Sozinho no escuro
qual bicho-do-mato,
sem teogonia,
sem parede nua
para se encostar,
sem cavalo preto
que fuja a galope,
você marcha, José!
José, para onde?
qual bicho-do-mato,
sem teogonia,
sem parede nua
para se encostar,
sem cavalo preto
que fuja a galope,
você marcha, José!
José, para onde?
FOTOS (Humberto Kotsifas)
segunda-feira, 2 de novembro de 2009
ALIENISTA - 2008/2010
PROJETO (3552) - SELECIONADO PELO PROART - SME - PREFEITURA DA CIDADE DE SÃO PAULO - 2009/2010
O ALIENISTA - da obra de Machado de Assis - dramaturgia: HERCULES MAIA KOTSIFAS
O ALIENISTA - da obra de Machado de Assis - dramaturgia: HERCULES MAIA KOTSIFAS
Convidados pelo Núcleo de Ação Cultural do SESC–SP (Pompéia) em 2008 - para desenvolver este projeto em parceria com dramaturgo Hercules Maia Kotsifas, que aconteceu no mês de agosto e setembro na exposição/instalação Rios de Machado, na sala verde, dando continuidade à pesquisa que o Grupo realiza sobre a dramaturgia e a encenação, nesta primeira fase realizamos uma performance.
Após o convite do Núcleo de Ação Cultural, buscamos a construção de um texto e de uma sonoridade própria, abordando as questões sobre “sanidade” narradas pelo personagem Dr. Simão Bacamarte, num contexto insólito, onde não sabemos de fato quem é louco ou o que é a loucura afinal?!
Desenvolvido em duas etapas (dramaturgia, construção cênica em conjunto com trabalho do ator), o texto, inicialmente, passou por uma adaptação (feita pelo dramaturgo Hercules Maia Kotsifas), o período de apresentações no SESC - Pompéia serviu para edificar nosso projeto.
Simão Bacamarte está no interior da cidade de Itaguaí, onde resolve dedicar sua vida a uma causa muito maior, que é o estudo da patologia cerebral. Para isso constrói em Itaguaí a casa dos dementes, apelidada mais tarde por casa verde por alusão a cor das janelas.
Sinopse do Espetáculo:
Duração: 50 min.
matéria sobre a performance Guia da Folha:
A sala O Alienista...
Entre as performances, destaque para a do ator Marco Antonio Garbellini, realizada aos sábados e domingos, às 16h e 18h. Ele interpretará o personagem Dr. Simão Bacamarte, médico e protagonista do romance "O Alienista" - dramaturgia de Hercules Maia Kotsifas.
http://guia.folha.com.br/passeios/ult10050u436364.shtml
Matéria Guia da Folha:
*Machado de Assis é considerado o maior escritor do Brasil e, consequentemente, muito se fala sobre ele: da sua capacidade de criar em diferentes gêneros, de seu estilo inconfundível, de seu domínio da linguagem, da sua complexidade de pensamento, de sua maestria na observação psicológica e de mais uma infinidade de temas cabíveis dentro do universo fecundo de um escritor tão profícuo. No entanto, diante da quantidade de estudos feitos sobre a obra ficcionista, pouco foi dito acerca de uma de suas facetas mais características e complexas: o seu humor irônico. O talento humorístico do artista sempre é citado pelos críticos, mas poucos se ocuparam do estudo do humor machadiano
Lucia M. Pereira, biógrafa do literato, diz que “sob as aparências do ceticismo risonho, Machado deixou em sua obra um travo amargo de desengano” e nessa perspectiva percebe-se que o escritor pode ter buscado sua técnica de composição humorística nos ingleses. A conseqüência disso é que parte dos leitores brasileiros, acostumados ao humor escrachado e à caricatura grosseira, não encontra a graça nos escritos machadianos, uma vez que ela reside na sutil demonstração do ridículo diário, na tênue caricaturização dos absurdos que a sociedade aceita como cotidianos.
*Revista CONHECIMENTO PRÁTICO – LITERATURA – edição n. 26 (O Humor Machadiano em O ALIENISTA) por José Maria Boutckosky da Silva
Alexsandro Santos, Bruno Feldman e Reinaldo Taunay.
Fotos: Carla Valenca
Assinar:
Postagens (Atom)







.





































