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quarta-feira, 30 de setembro de 2009

Na Cadeira com os Pés na Varanda (2007) - Fala Comigo Doce como a Chuva (2004)


Na Cadeira com os Pés na Varanda
Direção: Paulo Barcellos – Dramaturgia: Fabio Torres - Criação e execução: Rita Pisano e Marco Antonio Garbellini.


Justificativa
“Na Cadeira com os Pés na Varanda” é continuidade da pesquisa que iniciamos com o estudo do Teatro Americano dos anos 30 e 40 do século anterior. Optamos então por trabalhar como impulso inicial para a construção de uma dramaturgia e poética próprias, o universo das personagens de dois textos de Tennessee Williams: “Fala Comigo Doce como A Chuva” e “Gato em Teto de Zinco Quente”.O primeiro nos revelou um casal cheio de expectativas de um mundo melhor, mas já eles próprios sem perspectivas de mudança. Serviu-nos como impulso inicial de resgate de nossos desejos, sonhos, objetivos de vida e, consequentemente, para a elaboração e construção da dramaturgia do início da peça.


Através de depoimentos dos atores sobre a matéria trabalhada pudemos formular um convite poético, como que, na tentativa de trazer o espectador a participar desses desejos e do jogo teatral. Já a inspiração de “O Gato em Teto se Zinco Quente” nos dá a possibilidade de desconstruir a veracidade desses desejos e apontar as suas contradições, formando assim dois momentos diferentes com esse casal envolto em suas possibilidades auto sabotadas. A dupla de atores prontos para iniciarem a apresentação, envoltos em suas expectativas a partir do jogo cênico que se inicia, sem saber se suas ações serão bem sucedidas, e o segundo, de um casal já desgastado, aprisionados pelos seus dramas pessoais, na busca de uma ascensão social.


É nesse jogo de revelações e opções a serem tomadas entre o drama fechado na quarta parede e o jogo dos atores com a platéia que buscamos o entendimento do que mostrar, revelar ou esconder: os vestígios da tentativa, por vezes fracassada, no plano da memória e das ações das personagens e dos atores. “Na Cadeira com os Pés na Varanda” é um convite à reflexão sobre as necessidades de se fazer teatro e, da forma que ainda persiste para revelar o ser humano e suas relações: o drama.



Ficha técnica:

Dramaturgia: Fábio Torres
Direção: Paulo Barcellos
Elenco: Marco Antonio Garbellini
e Rita Pisano
Cenografia: Alex Rosato e Amauri de Brito
Iluminação: Paulo Barcellos
Produção Executiva/Figurinos: O Grupo



Projeto premiado pelo PAC – Programa de Ação Cultural do Estado de São Paulo (2006)
Estréia - Teatro Julia Bergmann (2007) e Galpão do Folias (2007)

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FALA COMIGO DOCE COMO A CHUVA - (2004)
OLGA MARIA e MARCO ANTONIO GARBELLINI
Peça em 1 ato



(Tennessee Williams)


Personagens: Homem e Mulher - Voz de criança (nos bastidores)

Cena: Um quarto mobiliado a oeste da Oitava avenida no centro de Manhattan. Numa cama de abrir e fechar está deitado um homem de cuecas amarrotadas tentando despertar e seus suspiros são os de um homem que foi deitar muito bêbado.




A Mulher está sentada numa cadeira de espaldar reto junto à única janela do quarto, lá fora o céu está cinzento carregado de uma chuva que ainda não começou a cair. A Mulher está segurando um copo de água do qual ela toma pequenos goles com gestos nervosos como um passarinho bebendo água. Ambos têm o rostos jovens e desolados como os rostos de crianças em países devastados pela fome.

 Na maneira de falar existe uma certa delicadeza, uma espécie de formalidade meiga como de duas crianças solitárias que desejam ser amigas, e no entanto têm-se a impressão que eles vivem nesta situação íntima há muito tempo e a cena que está se passando entre eles neste momento é uma repetição de cenas anteriores, tão frequentes que se tornaram patéticas pois nada mais resta do que a aceitação de uma situação inalterável entre eles, sem nenhuma esperança de mudança.

Homem: (com voz rouca) Que horas são? (A mulher murmura algo incompreensível). O que, bem?

Mulher: Domingo.

Homem: Eu sei que é domingo. Você nunca dá corda no relógio.

(A mulher estica um braço magro para fora da manga do quimono de rayon rosa e velho e pega um copo de água e o peso desde parece puxá-la um pouco para frente.
O homem observa da cama, de um modo ao mesmo tempo solene e carinhoso, enquanto ela bebe água. Uma música começa a tocar ao longe, hesitante, repetindo uma frase musical várias vezes, como se alguém num quarto ao lado estivesse procurando lembrar uma canção num bandolim.
As vezes uma frase é cantada em espanhol. A canção poderia ser Estrellita.)

A voz de uma criança: Chuva, chuva, vai embora!

Volta novamente num outro dia!

(O canto é repetido por outra criança mais longe em tom de zombaria)

Homem: (Em conclusão) Será que eu descontei o meu cheque de desemprego?

(A mulher se inclina para a frente como se o peso do copo a puxasse; coloca-o no parapeito da janela com um pequeno barulho que parece assustá-la. Ela começa a rir sem fôlego por um momento. O Homem continua desanimado.) Eu espero não ter descontado o meu cheque. Onde está minha roupa? Procura nos meus bolsos e vê se o cheque está comigo...


Fala Comigo Doce Como a Chuva, de Tennessee Williams

Projeto de: Marco Antonio Garbellini e Olga Maria
Assistência: Sergio Milagre e Silvana Belizário.
Luz: Leandro Siqueira
Técnica: Erica Teixeira
Música: Guga Stroeter
Cenário: Hélio Carneiro
Produção: Teatro dAdversYdade
Estréia - Teatro do Ator/Teatro Bijou (SP, 2004)

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