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segunda-feira, 22 de novembro de 2010

Curso

Curso
INTRODUÇÃO ÀS DRAMATURGIAS DE LÍNGUA PORTUGUESA: ÁFRICA E PORTUGAL

UNIFESP - Guarulhos
Estrada do Caminho Velho 333
Bairro dos Pimentas

Inscrições gratuitas no local - haverá certificados para os que participarem dos dois dias de aulas.

Ministrante: Profª Dr. Luciana Éboli (Pesquisadora do Grupo Estudos Culturais e Literaturas Lusófonas da PUCRS)

CARGA HORÁRIA DO CURSO: 6 h
PROGRAMA DAS AULAS

Aula 1 - 24 de novembro, das 17 às 20 horas
Parte I
Introdução às teorias do drama: abordagem metódica e análise do texto dramático, bem como sua organização e estruturação. Definição de ação dramática: formas de construção e desenvolvimento da linha de tensão no desenrolar da trama e suas consequencias durante a encenação teatral.
Dramaturgia de José Mena Abrantes, Angola: contextualização histórica e análise do texto Ana, Zé e os Escravos. Leitura de cenas significativas e discussão.
Parte II
Dramaturgia de Mia Couto, Moçambique: estudo da obra a partir do drama Mar me quer, de Mia Couto e Natália Luiza. Análise temática e textual; discussão sobre o papel da obra Mar me quer como veículo de expressão da realidade sociocultural de Moçambique.


Aula 2 - 25 de novembro, das 17 às 20 horas
Parte I
Dramaturgia de Fernando de Macedo, São Tomé e Príncipe: análise do drama O Rei do Obó. Considerações históricas a respeito do povoamento de São Tomé e Príncipe e da formação do povo angolar. Discussão sobre a construção dramática, bem como sobre a importância da recriação de personagens e fatos históricos para o resgate da memória e da tradição.
Parte II
Dramaturgia de José Luís Peixoto, Portugal: o escritor e sua atual repercussão. Análise do drama À manhã e suas respectivas relações intertextuais com os dramaturgos Tcheckov e Beckett, bem como a caracterização histórico-social regional retratada.
Comparação entre os quatro dramas e autores trabalhados ao longo das aulas e encerramento do curso.




OS AUTORES E SUAS OBRAS


JOSÉ MENA ABRANTES (Angola)
            O dramaturgo José Mena Abrantes nasceu em Angola no ano de 1945 e licenciou-se em Filologia Germânica em Lisboa. Ao retornar a Angola, em 1974, foi co-fundador de um dos grupos teatrais mais tradicionais do país, o Tchinganje, em suas atividades como diretor e dramaturgo. Atualmente, sua obra tem sido publicada em Portugal e Angola e divulgada através do trabalho do grupo Elinga Teatro, um dos mais importantes grupos teatrais de Angola, sediado em Luanda, que leva seus espetáculos regularmente a diversos países e divulga a produção teatral angolana. O grupo, dirigido pelo autor, participou de vários festivais em países de língua portuguesa e encena, entre outros autores de expressão mundial, a obra de Mena Abrantes. Além dos textos para teatro, o autor produz também estudos teóricos, poesias e contos, sempre inspirado na condição social, histórica e cultural de seu país. De sua produção literária destacam-se O Teatro Angolano Hoje (ensaio), Meninos (poesia) e Caminhos Desencantados (contos), as duas últimas obras vencedoras do Prêmio Sonangol de Literatura, respectivamente, nos anos de 1990 e 1994.
A obra de José Mena Abrantes, escrita no período de 1977 a 1998, compreende doze textos dramáticos e pode ser subdividida, segundo o próprio autor, nas seguintes categorias: textos baseados em narrativas tradicionais africanas de Angola, S. Tomé e Príncipe e Camarões; os que se inscrevem numa linha caracterizada como “histórico-fantasiosa”, tendo como pretexto personagens ou situações históricas concretas e documentadas que originam uma especulação fantasiosa; os que fazem uma reflexão sobre temas de atualidade política, social e cultural dos últimos vinte e cinco anos; por último, um único texto, versão dramática de O segredo da morta, de Antônio Assis Júnior, tradicional romance angolano de costumes.

MIA COUTO (Moçambique)
Reconhecido autor nascido em Moçambique, em 1955, com vasta obra literária entre romances, crônicas, contos e poesia. No ano de 1998, publica a obra Mar me quer, por ocasião da Exposição Mundial em Lisboa. A breve e poética narrativa traz como tema central a básica relação do homem com o seu destino. Com a linguagem pertinente a um estilo literário já reconhecido e afirmado, através do lirismo e da recriação lingüística, o autor apresenta, na ocasião, mais uma sensível e aprofundada mostra de suas reflexões sobre as relações do indivíduo com a terra, seus valores e suas crenças.
O texto dramático Mar me quer, publicado no ano de 2002, é uma adaptação dessa narrativa, posteriormente transposta para a forma dramática pelo autor em parceria com a encenadora portuguesa Natália Luiza. A adaptação para teatro foi realizada para fins de encenação no Festival Mediterrâneo/Culturgest, no Teatro Taborda em Lisboa, e resultou num texto original e independente da narrativa anterior.

FERNANDO DE MACEDO (São Tomé e Príncipe)
            Fernando de Macedo, de ascendência são-tomense-angolar, nasceu em 1927 e faleceu em 2006, em Lisboa. Dramaturgo, poeta, professor e pesquisador licenciado em Ciências Histórico-Filosóficas, foi ativista político na luta pela independência das colônias portuguesas tendo dinamizado diversas ações de apoio a São Tomé e Príncipe. Foi dirigente da CoopÁfrica, associação cujo objetivo é contribuir para a estruturação da sociedade civil, especialmente em regiões africanas menos desenvolvidas. Suas peças Cloçon Son e Capitango já foram levadas à cena pelo grupo teatral português O Bando, ambas em São Tomé e Príncipe, a primeira com estréia no ano de 1997 e a segunda com encenação promovida pela Direção Nacional de Cultura para, posteriormente, integrar as atividades da participação são-tomense na Expo’ 98, em Lisboa. O rei obó, ainda inédito, é o último texto da trilogia Teatro do imaginário angolar de São Tomé e Príncipe. Dentre sua obras publicadas destacam-se ainda: Mar e mágoa, 1994, e Anguéné, gesta africana do povo angolar de São Tomé e Príncipe, 1989, ambas de poesia, e o ensaio etnológico O povo angolar de São Tomé e Príncipe, 1996. Também em 1996 recebeu a Ordem do Infante D. Henrique pela contribuição, ao longo de sua vida, para o fortalecimento da sociedade civil lusófona.
O dramaturgo, conhecido também pela sua produção poética, tomou como base de inspiração dos seus três textos publicados uma aprofundada pesquisa sobre tradições e mitos do povo da região Angolar de São Tomé e Príncipe. Nessas obras, o intuito do autor foi reavivar as raízes da cultura do povo angolar, um dos povos de origem do país, no sentido de restauração dos valores matriciais já esquecidos, sobretudo pela população jovem, mas também pela ideologia oficial. As obras foram escritas do período compreendido entre 1997 e 1999.



JOSÉ LUÍS PEIXOTO (Portugal)
O conjunto da obra do escritor português José Luís Peixoto contém vários gêneros literários, e inclui romances, contos, poesias e dramas. Em sua trajetória, o autor recebeu o Prêmio Saramago pelo romance Nenhum Olhar, em 2001, e em 2008 lançou no Brasil o romance Cemitério de Pianos. A incursão no gênero dramático se dá no ano de 2005, quando compõe suas primeiras peças teatrais: Anáthema, com montagem estreada no Teatro da Bastilha, em Paris, e À manhã, escrita em 2005 e publicada em 2007 no livro intitulado Cal - uma coletânea de crônicas, poemas e teatro - peça que teve sua estréia também no ano de 2007 no Teatro São Luiz, em Lisboa.
O escritor nasceu no ano de 1974 em Galveias, Portugal, é Licenciado em Línguas e Literaturas Modernas pela Universidade Nova de Lisboa e recebeu o Prêmio Jovens Criadores na área de literatura nos anos 1997, 1998 e 2000. Está ainda representado em diversas antologias de prosa e de poesia nacionais e estrangeiras e é colaborador de diversas publicações, também nacionais e estrangeiras, com romances publicados em quinze países, entre eles França, Itália, Brasil e Japão.
O drama intitulado À manhã tem como espaço uma aldeia com características do sul de Portugal, onde vivem personagens que caracterizam a região através do uso de vocabulário próprio do patrimônio linguístico português. Assim, em algum ponto da região do Alentejo, cinco personagens, sendo elas três mulheres e dois homens, atravessam a sequencia das quatro estações do ano, a começar pelo inverno, e sofrem a desertificação da existência e a ausência de pressa. O tempo das estações transforma-se, neste drama, no tempo da vida, que transcorre rumo à reinvenção da esperança e também do riso.


BIBLIOGRAFIA

Textos de Estudo:

ABRANTES, José Mena. Ana, Zé e os escravos. In Teatro I. Coimbra: Cena Lusófona, 1999.
COUTO, Mia & LUIZA, Natália. Mar me quer. Coimbra: Cena Lusófona, 2002.
MACEDO, Fernando. O rei do obó. In Teatro do imaginário angolar. Coimbra: Cena Lusófona, 2000.
PEIXOTO, José Luís. À manhã. In Cal. Lisboa: Bertrand, 2007.


BIBLIOGRAFIA DE APOIO

GUINSBURG, J. (org.). Semiologia do teatro. São Paulo: Perspectiva, 1988 (3ª ed.)
LARANJEIRA, Pires. Literaturas africanas de expressão portuguesa. Lisboa: Universidade Aberta, 1995.
PALLOTTINI, Renata. O que é dramaturgia. São Paulo: Brasiliense, 2005.
RYNGAERT, Jean-Pierre. Introdução à análise do teatro. São Paulo: Martins Fontes, 1997.

LUCIANA ÉBOLI
Curriculum

Bacharel em Artes Cênicas com Habilitação em Direção Teatral pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (1997), Mestre e Doutor em Letras, com ênfase em Teoria da Literatura, pela Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (2007 e 2010, respectivamente). Foi professora substituta do Departamento de Arte Dramática da UFRGS (2007-2009) e realizou estágio de doutorando PDEE/CAPES no Departamento de Língua e Cultura Portuguesa da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa (julho a outubro 2009). Tem experiência nas áreas de Artes e Letras, com ênfase em Teoria Literária e Dramaturgia, cujo trabalho se centra no estudo das Literaturas de Língua Portuguesa, em especial as Literaturas Africanas, com diversas participações em eventos e publicações nos periódicos e livros da área. Dentre os principais eventos, se destacam o III Encontro de Professores de Literaturas Africanas (Rio de Janeiro, 2007), onde apresentou o trabalho Teatro angolano na atualidade: sujeito, história e expressão cultural na dramaturgia de José Mena Abrantes; o II Simpósio Mundial de Estudos de Língua Portuguesa (Évora, 2009) com o trabalho Literatura dramática em África de língua portuguesa: história e cultura; e ‘Africa in search of alternatives’ (Trondheim, Noruega, 2009) com o trabalho Dramas of Angola: History and identity in the theater of José Mena Abrantes. Das publicações, se destacam os capítulos dos livros: “Mar me quer”, o teatro que se vê pela porta do sonho, do livro Redes e Capulanas, publicado pela editora do UniRitter, de Porto Alegre e “Sem herói nem reino ou azar da cidade de S. Filipe de Benguela com o fundador que lhe tocou em sorte”: ecos do domínio territorial em Angola no livro Espaços de encontro, publicado pela editora da Universidade Feevale, de Novo Hamburgo, ambos em 2009. A pesquisa de doutoramento, com parte realizada em Portugal, resultou na tese Memória e tradição nos dramas de São Tomé e Príncipe e Angola: os teatros de Fernando de Macedo e José Mena Abrantes. Atualmente, integra o Grupo de Pesquisa Estudos Culturais e Literaturas Lusófonas, vinculado ao NEL - Núcleo de Estudos Lusófonos, da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul.

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