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sexta-feira, 30 de outubro de 2009

Madame Bovary - Criação e execução: Raquel Anastásia e Marco Antonio Garbellini

MADAME BOVARY - de Gustave Flaubert - Dramaturgia: Hercules Maia Kotsifas - Fotos: Nelson Kao - SESC - Carmo - SP - bate papo com Samuel Titan, membro do conselho Editorial da Revista Cardernos, e Márcia Tiburi, escritora e professora da Academia Internacional de Cinema - após o bate papo apresentação da "Leitura dramática" de Madame Bovary - criação e execução de Raquel Anastásia e Marco Antonio Garbellini (Revista SESC-SP-setembro-2007)    


Emma - (Sozinha) Sinto-me como uma casa sem mobília. (Folheia o romance Paulo & Virgínia; olha o palco todo vazio e nota um vaso com um buquê de flores de noiva, seco e amarelado, amarrado com fitas de cetim. Fecha o livro. Olha para Charles e olha para o vaso. Charles percebe, apanha o buquê e joga longe. Emma abre o livro e continua lendo. Pára de ler, olha para o público) O que será feito do meu buquê de noiva quando eu morrer? Cada flor que ali está eu mesma colhi. (Deixa o livro num canto) Preciso começar a reforma dessa casa. Primeiro vou tirar esses castiçais, quero colar papéis novos nas paredes, pintar a escada, e fazer um banco no jardim em frente ao relógio de sol.


Emma – (Para o público) A conversa de Charles é sem graça como uma calçada. Ele se acha muito feliz e eu o detesto por aquela calma bovina, aquela serenidade pesada, alimentada da felicidade que eu lhe dou. Charles se alimenta de mim ; eu, ao contrário, não tenho do que me alimentar.
Emma – (Para si) Tenho um amante! Tenho um amante! Tenho um amante!
(Ouvem-se sinos tocando)







...(Volta a escrever) O mundo é cruel, Emma. Você seria desprezada e caluniada por todos em toda parte. Estou partindo, para onde não sei, estou louco, adeus. (Para si) Está pronto. E se ela me procurar? (Volta à carta) Por favor não me procure, parto para longe, não quero revê-la mais, quem sabe um dia possamos conversar como amigos. (Para si) Como assino agora? Teu amigo? Isso mesmo teu amigo! Devia levar vestígio de lagrima. Mas não conseguiria chorar. (Pega um copo com água e molha o dedo e deixa cair sobre a carta. Fuma cachimbo.)
Emma – (Desprezo)Tenho pena de você! Muitíssima pena! Quando se é pobre não se coloca prata na coronha do fuzil! Não se compra um relógio com incrustações de brilhante! Nem berloques! Nada lhe falta! Nada! Até um porta bebidas em seu quarto você tem! Você ama só a si próprio. Tem um castelo, fazendas, bosque. Caça com cavalos e cães, viaja para Paris.... Não é mesmo?

Eu teria dado tudo, teria vendido tudo, teria trabalhado com minhas mão, teria mendigado pelas estradas, por um sorriso, por um olhar, para te ouvir dizer: “Obrigado”. Fica aí tranqüilamente nessa poltrona, como se já não me tivesse feito sofrer bastante. Sem você, sabe bem, eu poderia ter vivido feliz! Quem te forçou a me seduzir?
Onde estão os nossos projetos de viagem, se recorda? Tua carta, tua carta! Ela me despedaçou o coração! Depois, quando volto para você, você que é rico e que pode me ajudar, você me repele! Me repele por míseros três mil francos!

Emma – A morte é coisa bem insignificante! Vou dormir e tudo terá acabado!


"FIM"

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